13 agosto 2017

Enfim, meu blog de novo

Tomei uns bailes com a nova formatação do Blogger, fazia tempo não conseguia entrar no meu blog a não ser como leitor. Achei o caminho, estou de volta, com participação de vez em quando. Começo por relembrar que está na Amazon.com meu recente (e primeiro) romance: "Alfenins"
.
É uma história de gente comum, não há heróis. São apenas as trajetórias de pessoas que vencem na vida, de pessoas que perdem e de gente que simplesmente toca a vida sem grandes percalços.
A novidade, talvez, é que procuro mostrar como e por quê as pessoas são o que são. Todos, no fundo, são fortemente influenciados pelo seu passado e muitos não conseguem se libertar de condicionamentos negativos.
Esta é a espinha dorsal de "Alfenins". Mas não é nenhum tratado de psicologia.

03 julho 2017

Até que enfim

Só para registrar: depois de várias tentativas de entrar em meu blog, finalmente estou aqui.

29 outubro 2016

Latinório 2

Atribui-se a Santo Tomás de Aquino a expressão "Timeo hominem unius libri", que significa literalmente "Temo o homem de um livro só". 
Quanto ao significado da expressão, há duas interpretações.
Segundo uma delas, que também se atribui a Santo Tomás de Aquino, enfrentar um especialista, seja ele em que matéria for, é tarefa ingrata; o especialista se dedicou a fundo àquilo e dificilmente será sobrepujado.
Segundo outra interpretação, o "homem de um livro só" é o fanático, esteja ele no campo religioso, político, esportivo ou de regimes alimentares. Só ouve o que vem ao encontro de suas crenças, distorce os fatos  e tem por hábito desqualificar as pessoas que não comungam de seu pensamento que ele. Não percebe o quanto tem comportamento obsessivo.

17 agosto 2016

Latinório

Há muito tempo, Millôr Fernandes apontou que no lema da bandeira de Minas Gerais, o famoso "Libertas quae sera tamen", havia uma palavra sobrando: "tamen". Este pertenceria à continuação da frase e sua tradução seria "contudo". Mas o pessoal da época de criação do lema pensava diferente: quatro palavras em português devem corresponder a quatro palavras em latim, ora pois. 
Esse conceito matemático na base de x = x parece que continua valendo. Da famosa frase latina de Cícero, cuja tradução é "Afinal, até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência", deduziu-se que "Quousque tandem" se traduz por "Até quando", ora pois. Novamente o critério do x = x, que não tem nada a ver com traduções. "Quousque" já quer dizer "Até quando". Por sua vez, "tandem" é o "afinal" da citação traduzida acima.
Mas os jornais continuam insistindo que o nome da operação Quousque tandem se traduz por "até quando".

 

02 novembro 2014

Da Vinci e o Código Bananére: A propósito de certo passeio ao Hopi Hari

Da Vinci e o Código Bananére: A propósito de certo passeio ao Hopi Hari

A propósito de certo passeio ao Hopi Hari

Nesta quinta-feira passada, fui a uma escola da Zona Norte de São Paulo e, chegando lá, tive a desagradável surpresa de verificar que não havia aulas. O motivo da falta de alunos foi o que mais me surpreendeu: acontecia, na ocasião, uma excursão ao Hopi Hari.
Fala-se tanto em melhorar a educação no País, as manifestações de rua do ano passado bateram muito nessa tecla, todos os candidatos das últimas eleições apregoaram grande preocupação com o tema – e me deparo com quê? Com um passeio ao Hopi Hari em dia de aula.
O que há de contribuição cultural nisso eu não consigo ver.
O que me intriga, então, é a pergunta: quem ganha com tal iniciativa?
Os alunos eu diria que não! Somente foram ao passeio aqueles que puderam pagar a excursão e aos demais restou a opção de comparecer às aulas. Obviamente, não compareceram. Considerando que há uma favela nas proximidades da escola e que dela provém grande parte dos alunos, tem-se de cara uma forte exclusão dos menos favorecidos. Mais antipedagógico impossível.
Por enquanto, parece-me que saíram ganhando apenas o Hopi Hari, que vendeu os ingressos, e a empresa de turismo, que levou a criançada. Ou seja, uma jogada comercial prevaleceu sobre a educação. Quem mais?

Não sei detalhes de onde veio o dinheiro para pagar os ônibus, mas isso pouco me importa, nem pesquisei para saber. Tampouco estou interessado em partidarizar o tema. Apenas acho tudo isso muito estranho e lamento que num simples episódio como esse a educação tenha ido mais uma vez para o ralo. 
A falta de seriedade vem à tona em episódios como esse.

30 agosto 2014

Licença poética

Num pequeno poema de Mário Quintana, o primeiro verso dá um bom exemplo do que seja licença poética: a desobediência às leis gramaticais em prol da melhor expressão de um sentimento ou apenas da boa musicalidade. O verso original é este:
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Só o hábito de ler bons autores com frequência possibilita perceber a sutileza contida numa licença poética como esta.
Pelo Facebook, já recebi de mais de uma fonte uma versão piegas do poema original. A versão naturalmente altera o verso inicial (que fica sendo A vida são uns deveres...), piora o texto e termina com o acréscimo de alguns pensamentos banais sobre o amor – coisa que Mário Quintana nunca escreveu.
A internet infelizmente é uma fonte de baixíssima confiabilidade. Há sempre alguém “melhorando” algo a seu bel-prazer, sem nenhum respeito pela autenticidade do que publica e, sobretudo, sem nenhum respeito pelo direito autoral.
A quem interessar possa, aqui vai o poema original de Mário Quintana – cujo título é Seiscentos e sessenta e seis, e não outro inventado por aí:

A vida é uns deveres que trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora é tarde para ser reprovado...
E se me dessem – um dia – outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio,
seguia sempre, sempre em frente.

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil
das horas.


Licença poética

Num pequeno poema de Mário Quintana, o primeiro verso dá um bom exemplo do que seja licença poética: a desobediência às leis gramaticais em prol da melhor expressão de um sentimento ou apenas da boa musicalidade. O verso original é este:
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Só o hábito de ler bons autores com frequência possibilita perceber a sutileza contida numa licença poética como esta.
Pelo Facebook, já recebi de mais de uma fonte uma versão piegas do poema original. A versão naturalmente altera o verso inicial (que fica sendo A vida são uns deveres...), piora o texto e termina com o acréscimo de alguns pensamentos banais sobre o amor – coisa que Mário Quintana nunca escreveu.
A internet infelizmente é uma fonte de baixíssima confiabilidade. Há sempre alguém “melhorando” algo a seu bel-prazer, sem nenhum respeito pela autenticidade do que publica e, sobretudo, sem nenhum respeito pelo direito autoral.
A quem interessar possa, aqui vai o poema original de Mário Quintana – cujo título é Seiscentos e sessenta e seis, e não outro inventado por aí:

A vida é uns deveres que trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora é tarde para ser reprovado...
E se me dessem – um dia – outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio,
seguia sempre, sempre em frente.

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil
das horas.


16 agosto 2014

Uma fábula (muito) contemporânea

No tempo em que os animais falavam, reuniram-se certa vez, numa terra distante chamada Bambilândia, o frango, o pato e o ganso. Buscavam uma saída para a insolúvel questão da fragilidade avícola. Chamavam-se pelo nome:
– A natureza foi injusta conosco. Temos asas, como qualquer ave, mas não sabemos voar – reclamou o ganso Henrique.
– Isso nos torna presa fácil do terrível gavião – completou o pato Alexandre.
– Mas vocês dois pelo menos podem fugir para a água – rebateu o frango Rogério.
– E adianta? Há até peixe querendo nos pegar.
No calor da conversa e sentindo-se abrigados sob o arbusto murici, os três não perceberam a proximidade do porco e foram devorados.